
Putz! Já faz mais de um ano que eu não escrevo nada aqui. Belo blogueiro, hein? Não faz mal, vou escrever assim mesmo.
Incrível como as coisas mudam! Há pouco mais de um ano eu estava chegando de Manaus, com uma vontade doida de que o secretário de cultura de lá aprovasse um projeto meu, mas não deu em nada. Nem aquele, nem os outros tantos resultaram em trabalho. Pirei forte, pensei até merda!
Lá de Piracicaba eu via minha vida complicando, minha mulher se distanciando, meu sogro me sensurando, minha mãe duvidando, meus irmãos entristecidos com minha condição, meu pastor aguentando firme comigo, enfim, foi foda.
A deprê chegou pesado, perdi o foco de tudo. Caminhava quilometros diariamente lá na fazenda onde eu estava morando, na intensão de encontrar uma saída.
A Cooperativa dos Músicos Independnetes surgiu assim, de uma dessas voltas entre os laranjais. Enfim, uma esperança despontava.
Lá por Piracicaba fiz das minhas. Conheci gente maravilhosa, Dna.Cidinha Mahle que me acompanhou em alguns recitais, me pôs nos jornais. O Maestro Mahle, grande músico, maior ainda como pessoa. A Ana Foizer, grande cantora e mentora do Ligaleve, um grupo de cantores que faz um trabalho gostosura. Foi bacana mesmo, mas o mercado para músicos profissionais em Pira é praticamente impossível. Cantar, por lá, não vale dinheiro e com dor no coração, desisti.
Meus olhos volaram-se pra Sorocaba de novo. Não poderia deixar oito anos de trabalho e relacionamentos para trás. Fiquei dividido, minha eposa já inserida no mercado de trabalho em Pira, minha filha na escola. Também não dava pra voltar naquele momento, mesmo que quizesse muito e eu queria. Então, passei a ir e vir de Sorocaba pra Piracicaba e vice-versa e assim dei início às atividades da cooperativa. Tudo estava indo bem. As pessoas se interessando, se inscrevendo, etc. Numa cooperativa de músicos que começou do nada, tudo que não tinhamos era liquidez. Grana não, ainda não. Mas paixão e fé eu tinha de sobra.
Com a cooperativa já devidamente constituida e os primeiros trabalhos já começando eu estava muito mais confiante, esperançoso. Foi nesse momento, 17/05, que minha esposa pediu que nos separássemos. Não sei descrever aqules dias.
Enfim, estou de volta à Sorocaba. Trabalhando, cantando, regendo, arranjando, reconstruindo. A cooperativa vai muito bem, crescendo, em número, projetos, faturamento. Quanto a mim? Isso tem tido muita variação.
Por isso sempre estou, nunca sou. Que emoções a vida me reserva? Depois eu conto.
WD
