quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Eu não sou, apenas estou.


Putz! Já faz mais de um ano que eu não escrevo nada aqui. Belo blogueiro, hein? Não faz mal, vou escrever assim mesmo.
Incrível como as coisas mudam! Há pouco mais de um ano eu estava chegando de Manaus, com uma vontade doida de que o secretário de cultura de lá aprovasse um projeto meu, mas não deu em nada. Nem aquele, nem os outros tantos resultaram em trabalho. Pirei forte, pensei até merda!
Lá de Piracicaba eu via minha vida complicando, minha mulher se distanciando, meu sogro me sensurando, minha mãe duvidando, meus irmãos entristecidos com minha condição, meu pastor aguentando firme comigo, enfim, foi foda.
A deprê chegou pesado, perdi o foco de tudo. Caminhava quilometros diariamente lá na fazenda onde eu estava morando, na intensão de encontrar uma saída.
A Cooperativa dos Músicos Independnetes surgiu assim, de uma dessas voltas entre os laranjais. Enfim, uma esperança despontava.
Lá por Piracicaba fiz das minhas. Conheci gente maravilhosa, Dna.Cidinha Mahle que me acompanhou em alguns recitais, me pôs nos jornais. O Maestro Mahle, grande músico, maior ainda como pessoa. A Ana Foizer, grande cantora e mentora do Ligaleve, um grupo de cantores que faz um trabalho gostosura. Foi bacana mesmo, mas o mercado para músicos profissionais em Pira é praticamente impossível. Cantar, por lá, não vale dinheiro e com dor no coração, desisti.
Meus olhos volaram-se pra Sorocaba de novo. Não poderia deixar oito anos de trabalho e relacionamentos para trás. Fiquei dividido, minha eposa já inserida no mercado de trabalho em Pira, minha filha na escola. Também não dava pra voltar naquele momento, mesmo que quizesse muito e eu queria. Então, passei a ir e vir de Sorocaba pra Piracicaba e vice-versa e assim dei início às atividades da cooperativa. Tudo estava indo bem. As pessoas se interessando, se inscrevendo, etc. Numa cooperativa de músicos que começou do nada, tudo que não tinhamos era liquidez. Grana não, ainda não. Mas paixão e fé eu tinha de sobra.
Com a cooperativa já devidamente constituida e os primeiros trabalhos já começando eu estava muito mais confiante, esperançoso. Foi nesse momento, 17/05, que minha esposa pediu que nos separássemos. Não sei descrever aqules dias.
Enfim, estou de volta à Sorocaba. Trabalhando, cantando, regendo, arranjando, reconstruindo. A cooperativa vai muito bem, crescendo, em número, projetos, faturamento. Quanto a mim? Isso tem tido muita variação.
Por isso sempre estou, nunca sou. Que emoções a vida me reserva? Depois eu conto.
WD

sábado, 31 de maio de 2008


Manaus - Terra de boas surpresas!

Primeira impressões
Sempre sonhei em conhecer Manaus. Tinha imensa curiosidade sobre suas belezas naturais, rios, a cultura indígena, enfim tudo que paulista pensa de Manaus. Estive por lá entre os dias 02 e 20/05. Assustei no começo. Sou assim mesmo, demoro uns dias relaxar. Meu irmão Alexandre me levou pra conhecer a cidade, o cais do rio Negro, o Teatro Amazonas, a culinária local. E que culinária!!

Gastronomia
Adoro peixe e por lá isso não falta. Detalhe: peixe de água doce é claro. Pirarucu, Tambaqui, Tucunaré, entre outros. Bom demais! Quem me conhece sabe que eu gosto muito de comer, mas fora isso, a culinária amazonense é maravilhosa. Os temperos, sabores e cheiros são suaves, mas bem equilibrados e marcantes. É um show mesmo! Comi um Tambaqui ensopado que, meu amigo, virou referência! Coisa de comer ajoelhado! Outra experiência foi a moqueca de Pirarucu com maracujá! Misericórdia! O Chef foi premiado com esse prato! Uma iguaria ímpar! Fora isso, teve a tal da calderada de Tambaqui, costela de Tambaqui, Pirarucu frito, assado, etc. Salivo de pensar!
Estive na casa do pastor do Eli, que é um amigo adventista de São Paulo que está morando em Manaus desde 2004. O Pastor fez, a pedido do Eli, um mingau com tapioca e banana da terra. Uma coisa típica, deliciosa e de sabor absolutamente diferente de tudo que eu já provei! É Feito com sal, mas tem o doce natural da banana lá no fundo. Uma textura espessa meio parecido com sopa de mandioca. Muito, muito bom. Acompanhado de suco de cupuaçu, castanhas e frutas! Outra maravilha! É realmente outro mundo. Aliás, comi pizza também, mas isso é melhor deixar prá lá, foi só pra não deixar de experimentar.

O Povo
Outra coisa bacana foi observar a simpatia do povo. São muito acolhedores. Achei o maior barato o modo deles de falar. Um misto de nordestino e carioca, mais suave um pouco, nem tanto um nem outro. Algo assim:”Bora lá comê u’a coxtela de Tambaqui, bora!”. Respondo logo: “Bora meu patrão!”.
Adorei conhecer o pessoal da rádio Amazonas FM, o Natã e o Evandro, o pessoal parceiro do feirão Levacar (automóveis), do Itaú, enfim a turma do meu irmão Alê.

Amigos em Manaus
Além desses, tenho alguns amigos que trabalham no Teatro Amazonas. O Eli Soares (do mingau), que é o preparador vocal do Coral do Amazonas (do teatro), o Marcelo de Jesus, que tocou comigo em São Paulo na época da faculdade. Esses eu esperava encontrar por lá. E foi muito legal nosso reencontro. Acabou que me ofereci pra cantar no Requiem de Verdi com o Coro e a Filarmônica do Amazonas. Tremenda cara de pau essa minha! Mas não é que deu certo?! Que farra! Fui passear e acabei fazendo um turismo cultural de altíssimo nível.
Foi bom demais encontrar um casal de amigos da adolescência. O “Zeu” (Israel Patriani Jr.) e a Mara, sua esposa que estão há onze anos em Manaus. Há quanto tempo não nos encontrávamos! Foi uma gostosura o tempo que passamos juntos.

Espetáculo
Fui assistir a um espetáculo no Teatro Amazonas. Era uma ópera chamada João e Maria do Engelbert Humperdinck. Tinha um monte de gente do elenco que eu conhecia de São Paulo. A Denise de Freitas, A Edna d'Oliveira, a Keila de Moraes, A Regina Helena Mesquita, Andrea Ferreira. Outra farra. Gente que eu não via há anos em São Paulo, encontrei no Amazonas. Eita mundão pequeno!

Teatro Amazonas
Na época da faculdade a gente comentava do teatro de Manaus e de sua opulência. Eu ficava pensando que era exagero, coisa de paulista. Mas, o fato é que o Teatro Amazonas é um exagero! É lindo, ricamente decorado, confortável, de acústica bacana, bem aparelhado, um arraso, melhor que muito teatro brasileiro mais famoso que ele. Fiquei pasmo!

Belezas de nossa terra
Felizmente tive chance de conhecer parte das belezas naturais que circundam Manaus. Fiz aquele passeio de barco imperdível que leva ao encontro das águas dos rios Negro e Solimões. A imagem que eu tinha era aquela lá da aula de geografia da quinta série. Mas, quando se pousa os olhos sobre o rio Negro, meu amigo, é indizível! Fui tomado por toda sorte de sensações superlativas, do medo ao deslumbre! Meu Deus, que obra! Cheguei à conclusão que é impossível navegar por aquelas águas sem pensar no poder do Criador. Passei bons momentos com Ele ali. As matas inundadas (Igapós), a chegada do Solimões. É a partir desse encontro monumental que o gigante rio Amazonas se faz. Meu Deus! Isso sim é que é demonstração de poder!

Um encontro assim faz a gente pensar
A gente que se acha homem moderno, atual, “linkado” na informação, acaba achando que a realidade é aquilo que a gente consegue entender. A gente vai ficando meio besta, achando que compreende as coisas todas. A internet nos dá um pouco dessa sensação. A de achar que as coisas são como a telinha mostra e tão fáceis como um vôo no Google Earth. Essa é a diferença do virtual pro natural. O virtual é mastigadinho o natural é cru. No virtual a vida é rápida e cheia de informação, no natural tem outra velocidade, e pra se saber qualquer coisa é preciso se envolver, sujar a mão. O Luiz Gonzaga tem uma música que fala do sertão do Canindé. Tem um trecho que diz:”/altomóvi lá nem se sabe se é hómi ou se é muié / quem é rico anda em burrico / quem é pobre anda à pé. / vai oiando o Galo Campina / que quando canta muda de cor / Vai moiando os pés no riacho / ‘Que água fresca Nosso Senhô!’ / Vai oiando coisa à granel / Que pra vê o cristão tem que andar à pé.” Os versos talvez não estejam na ordem certinha, mas esse é um dos casos em que a ordem não altera o produto. Pra mim, Deus está manifesto poderosamente na natureza. Que de mãe, não tem nada, mas é obra de Pai. Aquele mesmo que nos dá o pão nosso de cada dia. Cheguei à conclusão que a natureza é um presente maravilhoso que Deus fez com suas próprias mãos e nos deu.
Fui pra Amazônia, me deliciei de suas delícias, encontrei amigos da minha terra, fiz outros novos e queridos, contemplei a maravilha da criação e lá me encontrei com o Criador. João 1: 1-3 “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.” (NVI)

Special Thanks
Ao Alexandre e a Vivian. Queria que fosse possível trazer a esse texto uma boa tradução das coisas boas que essa viagem trouxe à minha vida. Quando se ganha um presente material, ele pode ter muito valor e até pode durar pra sempre. Mas quando se trata de um presente onde sua substância é o tempo e a convivência, ele se transforma em novas experiências de vida e então ganha dimensões muito maiores que as materiais. Experiências vividas não possuem valor. O gosto do peixe, a brisa do barco, a majestade da mata, a cor das águas, a o Teatro Amazonas, o rever dos amigos, a convivência com vocês, que preço tem isso? Quanto custa sua alocação na minha história, no meu coração? Portanto, muito obrigado é uma frase muito curta para conter a quantidade de significados que essa viajem trouxe. Mas, na limitação do verbo, aceite meus mais profundos e sinceros agradecimentos. Agradeço a Deus por fazer de vocês despenseiros no reino Dele.
Trouxe também no meu coração o casal Erick e Angélica. Gente que em tão pouco tempo aprendi a amar e querer bem. Obrigado por tudo que fizeram por mim! Desejo que o Senhor os cubra com graça, amor e encha a vida de vocês de significados eternos. Vocês estão no meu coração e em minhas orações!